100% Adventista



Visite nosso site pelo celular !!! m.comunidadeadventista.com
(custos de acordo com o seu plano e sua operadora)



Participe da nossa página no Facebook e na nossa comunidade no Orkut, clicando nos ícones:







A IMPORTÂNCIA DO CASAMENTO CIVIL


Introdução

Esta matéria tem como objetivo demonstrar a importância do casamento civil e sua relevância na relação conjugal entre pessoas cuja proposta de vida seja o padrão bíblico de conduta, e deixar claro que a santidade do matrimônio e sua integridade são protegidas e defendidas pelo ato civil.

Sistemas de Casamentos Existentes

“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gênesis 2:24).
Segundo a Bíblia, Deus fez toda a humanidade a partir de um único casal, mas dotou–os com a capacidade de procriação, a fim de por meio dela, dar continuidade a espécie humana (Gênesis 1:28).
Os filhos de Adão e Eva Deveriam crescer, amadurecer e povoar a Terra através do casamento. A relação matrimonial foi abençoada por Deus já nos seus primórdios: “Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados” (Gênesis 5:1, 2).
Deus fez apenas uma mulher para o homem no princípio para que as futuras gerações tivessem um modelo dado pelo próprio Criador, mas devido ao afastamento desse plano algumas distorções ocorreram na relação matrimonial como apresentada pelo Senhor no seu modelo. Por isso existem três sistemas de casamento: A monogamia, na qual o homem pode possuir apenas uma esposa. A poliandria (praticamente extinta), na qual a mulher pode ter mais de um marido ao mesmo tempo. Este sistema foi uma prática encontrada no Tibete, e em alguns países da Ásia. Hoje é considerado ilegal na maioria dos países. A poligamia é encontrada nos países maometanos e entre as tribos nativas da África, no entanto, a monogamia é o único sistema de casamento legalizado na maioria dos países civilizados, ou dos países cristianizados.



O Casamento no Velho Testamento

Nos tempos do Velho Testamento existiam várias leis para proteger o vínculo matrimonial. Essas eram leis civis as quais tratavam dos diversos aspectos da vida conjugal. O objetivo dessas injunções, entre outros era a felicidade da família como um todo. Isso torna–se claro ao lermos Deuteronômio 24:5: “Homem recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá qualquer encargo; por um ano ficará livre em casa e promoverá felicidade à mulher que tomou.”
As diversas leis veterotestamentárias protegendo o matrimônio eram leis civis: “...Deus, o criador e conservador do mundo, era ao mesmo tempo o rei e o administrador dessa nação, e é um ser único que não permite a menor separação ou pluralidade nem em política nem em metafísica. O regente não tem qualquer necessidade ou exigência dessa união a não ser o que é para o seu bem, o que promove a felicidade do Estado. Assim como, por outro lado, o Estado não pode exigir nada que seja contrário aos deveres para com Deus, nada que não seja antes ordenado por Deus ao legislador e administrador da lei da nação. É por isso que, nessa nação, o civil ganhou um prestígio santo e religioso enquanto que cada serviço era ao mesmo tempo um verdadeiro serviço divino.”
“Do ponto de vista judaico, o matrimônio não é uma concessão legalizada para a paixão sexual. Implica em algo mais elevado que um simples estatuto legal. É o símbolo da união de dois corações, porque o homem e a mulher se unem em um companheirismo sempre sagrado, abençoado por Deus.”
O Casamento no Novo Testamento

No Novo Testamento, o casamento religiosos deve ter também o amparo civil, tendo em vista as palavras de Paulo em Romanos 13:1, 2: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.”
O apóstolo continua suas considerações afirmando que os que praticam o bem não precisam temer a autoridade, pois ela está a serviço de Deus, por isso devemos sujeitar–nos a ela , inclusive por dever de consciência. E assim como é nosso dever pagar tributo às autoridades, também respeito a quem de direito (Romanos 13:1–7).
Se o matrimônio deve ser digno de honra entre todos (Hebreus 13:4), deixar de fora o seu aspecto civil seria minimizá–lo e desconsiderar o Seu Legislador maior que é Deus.
Quando nascemos, recebemos um registro de nascimento, uma certidão que permanecerá conosco durante os dias de solteiro. Ao casarmos, segundo as leis do país, recebemos uma outra certidão, a marca de uma nova etapa na experiência de duas pessoas cuja prerrogativa será a felicidade mútua que só estará plenamente satisfeita se a vontade de Deus for atendida.
As leis civis têm a finalidade de proteger ambas as partes e um terceiro elemento, os filhos. “A criança gerada deve ser assumida como fruto de um duplo amor – o do casal. Jamais deverá ser considerada por cada uma das partes como uma arma em potencial contra o outro.” Essas considerações resumem o pensamento judaico sobre a questão.

O Casamento Civil

O casamento civil poderia ser chamado, como afirma Laurent, o “fundamento da sociedade, base da moralidade pública e privada”. Para Goethe, o matrimônio é a base e o coroamento de toda a cultura, é ainda, segundo Lessing, a “grande escola fundada pelo próprio Deus para a educação do gênero humano”.
Tendo em vista que o civil e o religioso, cada qual em sua esfera de ação e harmonizados segundo o mais puro bom senso sob Deus, atuam para o benefício do casal, poderíamos conceituar o matrimônio, segundo a antiga definição de Modestino: “nuptie sunt conjunctio maris et feminae consortium omnis vitae, divini et humani juris communicatio, isto é, a conjunção do homem e da mulher, que se associam para toda a vida, a comunhão do direito divino e do direito humano.”
Tal conjunção aponta para o elemento físico da relação, ou seja, o consórcio por toda a vida, mais o elemento moral, e a união do direito divino e do direito humano, o que seria “o traço mais nobre e mais elevado da sociedade conjugal.”
Caracteres: – a) O casamento é de ordem pública (está acima das convenções particulares). b) União exclusiva (a violação dessa norma constitui um delito). c) Permanente (deve durar por toda a vida).
“O casamento constitui assim uma grande instituição social, que, de fato, nasce da vontade dos contraentes, mas, que, da imutável autoridade da lei recebe sua forma, suas normas e seus efeitos...A vontade individual é livre para fazer surgir a relação, mas não pode alterar a disciplina estatuída da lei.”
Casar–se de acordo com os parâmetros legais, cuja finalidade seja fazer prevalecer o direito, torna–se uma maneira de consideração aos princípios divinos, muito embora devamos ressaltar que “basicamente, a idéia cristã do casamento não é de que seja principalmente, um contrato com poderes legais e sociais. O cristão compreende o casamento como uma aliança feita sob Deus e na presença dos outros membros da família cristã. Essa aliança permanece, não devido ao poder da lei ou ao temor às suas penalidades, mas porque um pacto incondicional foi feito, uma aliança mais solene, mais obrigatória, mais permanente do que qualquer contrato legal.”

O Concubinato

O pastor adventista constantemente se depara com pessoas interessadas em batizar–se e afiliar–se à Igreja, mas que vivem em estado de concubinato. Na maioria dos casos, senhoras muito dedicadas, mas que se vêem impedidas de alinhar sua vida cristã pela relutância do companheiro em legalizar sua situação.
Muitos não compreendem, ou não querem compreender o desamparo bíblico dessas uniões. “Os que assim se mostram indulgentes, a pretexto de que se trata de fato freqüente...concorrem indiretamente para a desagregação da família legítima.” “Inegável, todavia, a generalização do fato social, que revela o estado de decadência a que chegou a sociedade hodierna.”
A união mantida sem nenhuma formalidade representa, em muitos casos, a exaltação do egoísmo no homem, “que deseja satisfazer suas necessidades sexuais com o mínimo de responsabilidade e de deveres.”

História

Em Roma, o casamento aparece perfeitamente organizado. A princípio, havia a confarreatio, a coemptio e o usus. A confarreatio, o casamento da classe patrícia, correspondia ao casamento religioso. Consistia, entre outras coisas, em oferecer aos deuses um pão de trigo, costume que sobrevive até hoje de uma forma estilizada no tradicional bolo de noiva. Caiu em desuso, e já no tempo de Augusto era bem raro.
“Havia uma cerimônia de noivado, que às vezes tomava lugar muito tempo antes das bodas. Nessa ocasião o espectante noivo oferecia à noiva um anel que ela usava no dedo anular da mão esquerda. Algumas vezes os conhecidos eram convidados, e a noiva recebia presentes.
Grande cuidado era exercido na escolha do dia da cerimônia...A noiva usava um véu sobre sua cabeça e era coroada com uma grinalda de flores...A cerimônia incluía oração, sacrifício, e o encontro da mão direita dos noivos.
No rito da confarreatio a noiva formalmente renunciava o nome da sua própria família e assumia o do marido, então ambos participavam do bolo sagrado, libum farreum, assim chamado por ser feito do trigo grosso conhecido como far.”
O matrimônio da plebe era a coemptio, que correspondia ao casamento civil. O usus era uma espécie de uso capião, pois o marido adquiria a esposa pela posse.
“Todas essas formas investiam o marido in manus; a mulher e seu patrimônio passavam para a manus maritalis. Às referidas formas contrapunha–se ainda o casamento celebrado sine manus, em que a mulher continuava a pertencer ao lar paterno. Chegou–se, por fim, ao matrimônio livre, em que apenas se requeriam capacidade dos contraentes, consentimento destes e ausência de impedimentos (justae nuptiae).
Era essa a condição até que a Igreja começou a reivindicar seus direitos sobre a instituição matrimonial, mas sua regulamentação se efetivou apenas no Concílio de Trento (1545–1563).
“A partir do século XVI o casamento canônico deixou de ser o regime matrimonial único e exclusivo ao aparecer o casamento civil, estabelecido em alguns países com o advento do protestantismo e especialmente com a implantação da separação jurídica da Igreja e do Estado.”

Conclusão

A Grécia antiga mantinha a tradição na qual o pai era o chefe da família e reverenciado quase como um deus. A mulher não gozava direitos legais. Sob as leis romanas, o pai detinha o poder absoluto. As mulheres e os filhos eram sua propriedade. Este podia divorciar–se quando quisesse, podia vender os filhos como escravos e até matá–los se o desejasse. Os filhos não podiam possuir propriedades e o que ganhavam passava compulsoriamente para o pai.
No mundo antigo, mulheres, crianças, escravos e animais eram bem pouco respeitados. Com freqüência, crianças do sexo feminino eram afogadas logo ao nascer. O mesmo destino era a sorte das cegas e aleijadas.
Com a chegada de Jesus e a pregação dos apóstolos, as coisas começaram a mudar. O Cristianismo trouxe consigo a disseminação dos direitos humanos, igualando o rico e o pobre, o homem e a mulher, a criança e o adulto: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).
Mesmo na sociedade moderna, a ausência de um compromisso legal no casamento tende a depreciar todas as conquistas alcançadas pelo Cristianismo, e é muito comum, no caso de relacionamentos desfeitos, o prejuízo moral e físico principalmente da parte mais frágil, e maior complexidade quanto a procura de direitos.
O matrimônio é algo muito sério, e como tal deveria ser tratado com seriedade devido ao alcance de sua influência. “O casamento está tão ligado a vida que se torna, logicamente, a relação humana mais importante e mais significativa que existe, só inferior a que há entre o ser humano e a Divindade.”
Todos os que amam verdadeiramente a Deus, acolherão a instituição do casamento e terão respeito pela iniciativa civil cuja atuação contribui a fim de elevar o padrão de moralidade na sociedade moderna.



[1] A versão usada neste artigo é a Revista e Atualizada no Brasil, da Sociedade Bíblica Brasileira.

[1] Bernardo Sorj e Monica Grin, Judaísmo e Modernidade, (Imago Editora LTDA. Rua Santo Rodrigues, 201–A, Estácio – Rio de Janeiro, RJ), 1993, págs. 89, 90.

[1] Vera Lúcia Chahon, A Mulher Impura, (Edições Achimé Ltda. Rua da Lapa, 180, sobreloja, Rio de Janeiro – RJ), 1982, pág. 28.

[1] Vera Lúcia Chahon, pág. 77.

[1] Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil, 2º volume, (Editora Saraiva, Av. Marques de São Vicente, 1697 – Barra Funda, São Paulo, SP), 1986, pág. 8.

[1] Ibid.

[1] Ibid., pág. 9.

[1] Ibid., pág. 8.

[1] Ibid., págs. 9, 10.

[1] H. Norman Wright, Comunicação: A Chave Para o Seu Casamento, (ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO, Caixa Postal, 21257, 04698 – São Paulo Brasil), pág. 15.

[1] Washington de Barros Monteiro, pág. 16.

[1] Ibid., pág. 17.

[1] Ibid.

[1] Neufeld, Don F., Seventh-day Adventist Bible Student’s Source Book, (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association) 1962; Artigo “Wedding Customs”.

[1] Washington de Barros Monteiro, pág. 12.

[1] Rafael Llano Cifuentes, Relações Entre a Igreja e o Estado, (LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO EDITORA S.A., Rua Marques de Olinda, 12, Rio de Janeiro, RJ), 1989, pág. 255.

[1] Haroldo Shryock, Dr., A Felicidade Conjugal, (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira), pág. 11.

Autor: Josimir Albino do Nascimento

Pastor Ordenado Distrital de Cabo Frio

Associação Rio Fluminense

O Dom de Línguas

Introdução

Antes de partir, Jesus deixou uma tarefa primordial com os Seus discípulos (Mateus 28:18-20): Pregar o Evangelho. Para realizar essa tarefa, eles enfrentariam muitos desafios, dentre os quais, transmitir as Boas Novas para pessoas de outras nações, que se comunicavam em idiomas diferentes do deles. A fim de cumprir cabalmente a tarefa, precisariam do auxílio divino, ou seja, dos dons do Espírito.

Para que o Espírito Santo Concede os dons? A resposta para esta pergunta encontra-se em I Coríntios 12:7 “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso[1].”

O Senhor visava algo proveitoso quando concedeu o Espírito a Seus filhos: A pregação do Evangelho.

a) Atos 1:8 “...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”

b) Atos 4:31 “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.

Condição Para a Recepção dos Dons do Espírito

1. União Atos 1:14

2. Arrependimento Atos 2:38

3. Obediência Atos 5:29, 32

4. Oração Lucas 11:13

5. Gálatas 3:14

Para muitos, a recepção do Espírito Santo é uma experiência subsequente ao batismo com água. Pelos textos seguintes veremos que pode acontecer:

a) Antes do batismo (Atos 10:44, 45)

b) Logo após o batismo (Atos 19:5, 6)

c) Depois do batismo (Atos 8:14-17)

O Espírito Santo decide quando batizar uma pessoa, de acordo com o Seu beneplácito.

Origem da Problemática Envolvendo As Línguas

A diversidade de idiomas é o resultado direto do pecado e da rebelião humana contra Deus (Gênesis 11:1-7). Se Ele confundiu os homens no princípio, diversificando as línguas, estabelecendo os variados idiomas, também pode, pela ação de Seu Espírito capacitar aos crentes para falar qualquer desses idiomas com a finalidade de disseminar o Evangelho.

Culto e Adoração na Visão Bíblica

1. Salmo 46:10 “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.”

2. Habacuque 2:20 “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.”

3. I Cor. 14:33 “...porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos.”

4. Efésios 4:31 “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.”

Uma Abordagem Sobre a Expressão

“Novas Línguas” em Marcos 16:17

“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas...”

Vejamos o texto grego: “shmeia de toij pisteusasin tauta parakolouqhsei en tw onomati mou daimonia ekbalousin glwssaij lalhsousin kainaij.”

Existem duas expressões para ‘novo’ no idioma grego: neós {neój} e Kainós

{kainój}. O termo ‘neós’ significa algo inteiramente novo, que não existia antes, novo em folha. Porém ‘kainós’, refere-se a alguma coisa que já existia, mas que agora está sendo colocada numa roupagem diferente. Quando Jesus declarou, ‘Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros...’ (João 13:34), não estava dizendo que era algo inteiramente novo, até porque este mandamento está enunciado no Velho Testamento: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.” (Levíticos 19:18).

Desta maneira, entendemos a expressão ‘falarão novas línguas’ como idiomas já existentes, porém, ‘novos’ para quem fala, pois ainda não havia se utilizado dos referidos idiomas para comunicação. Foi isso que aconteceu aos discípulos no dia de Pentecostes.

As Línguas Faladas Pelos Discípulos e Primeiros Crentes

Em Atos 2: 7-11 temos o relato de que as línguas faladas pelos discípulos eram existentes, e não estranhas: “partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios.”

Sabemos que em Atos 2 as ‘línguas’ faladas referiam-se a idiomas de nações. “Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?”

Precisamos examinar outras ocorrências em Atos a fim de saber qual a sua natureza. Se igual ou diferente do capítulo dois:

a) Atos 10:46, 47 “...Assim como nós.”

b) Atos 11:15 “...Como também sobre nós no princípio.”

c) Atos 19:6 (Éfeso era uma cidade da Ásia Menor e a grande maioria dos crentes eram gentios de fala grega e não judeus)

Concluímos que através do livro de Atos, as ‘línguas’ são da mesma natureza, ou seja, de nações (Atos 2: 7-11).

No original grego, o vocábulo usado no verso oito para ‘línguas’ é dialéktos {dialektoj} que significa as diferentes maneiras de falar dos distintos povos da Terra, referindo-se, portanto, a idiomas.

Na versão grega do Velho Testamento chamada Septuaginta, tradução feita pelos hebreus em torno do ano 250 A.C., também conhecida como LXX, a expressão ‘glossa’ (língua) está sempre ligada a idiomas:

Daniel 1:4 (glôssan kaldaion)

Daniel 3:4 (laois, philai, Glôssai)

Daniel 3:7 e 29 (oi laoi, philai, glôssai / pâs laos, phile, glôssa)

Um exemplo muito relevante se encontra em Gênesis 11:7, ocasião em que Deus confundiu os homens e deu formação aos diversos idiomas. Aqui o vocábulo ‘glossa’, referindo-se a idioma, demonstra o seu emprego de maneira correta: (Deutê, kai katabantes sunkeomen autôn ekei tem glôssan) “Vamos, e havendo descido, confundamos sua língua (língua deles).”

Há ainda outros exemplos: Gênesis 10:5 e 20; Isaías 28:11; 66:18; Jeremias 5:15; Ezeq. 3:5, 6; Daniel 5:19; 6:25; 7:14; Sofonias 3:9; Zacarias 8:23.

Observemos que sempre que o dom de línguas ocorre no livro de Atos, estrangeiros estão envolvidos: Atos 10:1; 10:46; 11:17. O mesmo acontece em Coríntios, pois a cidade de Corinto era portuária. Depois de ter sido destruída pelos romanos em 146 A.C. e reconstruída por Júlio César, passou a ser colônia romana. No ano 27 A.C. já possuía 600 mil habitantes, entre os quais, marinheiros, comerciantes, etc. Por ser uma cidade portuária, a prostituição era uma prática comum. A cidade era cosmopolita e para lá concorriam muitos estrangeiros, entre os quais, cristãos advindos de diversas partes do mundo, interessados em contar as grandezas de Deus naquela igreja. Muitos desses estrangeiros não podiam se comunicar através do idioma local, e precisavam de intérpretes.

A Interpretação das Línguas

A palavra grega que corresponde a ‘interpretar’ no Novo Testamento, com exceção de Lucas 24:27, sempre significa traduzir de um idioma estrangeiro a língua vernácula:

I Coríntios 14:13 (diermeneuo - {diermeneuo })

Mateus 1:23 (o estin methermeneuomenon – {o estin meyermhneuomenon}) = “que quer dizer”, “o que significa”, ou “traduzindo”.

Marcos 5:41 (o estin methermeneuomenon – {o estin meyermhneuomenon})

E ainda outros exemplos: Marcos 15:22, 34; João 1:38, 42; 9:7; Atos 9:36; 13:8; Hebreus 7:2.

Avaliações Linguísticas

Quando surgiu o neo-pentecostalismo, os seus advogados afirmavam que as línguas faladas pelos pentecostais eram conhecidas, contudo, linguistas de diversas partes do mundo demonstraram “que a moderna ‘glossolália’ consiste em sons desconhecidos e que algumas das pretensões de falar em línguas conhecidas são falsas.”

Uma autoridade em linguística, Mosiman, estudou vários casos e chegou a conclusão de que nem um sequer era autêntico. O mesmo aconteceu com um psicólogo contemporâneo, chamado Robert L. Dean.

Durante vários anos, centenas de gravações contendo ‘línguas estranhas’ foram submetidas ao cuidadoso exame de autoridades, famosos linguistas internacionais tais como: William J. Samarin, professor de Antropologia e Línguas da Universidade de Toronto; Dr. William Welmes, professor de Línguas Africanas da Universidade da Califórnia; Dr. Eugene Nida, renomado linguista da Sociedade Bíblica Americana.

O Dr. Welmes declarou enfaticamente: “Devo declarar sem reservas que as gravações que examinei não se assemelham estruturalmente a uma língua. Nada há mais que sons de vogais contrastantes, e poucos sons peculiares de consoantes. Estes combinam para formar bem poucos conjuntos de sílabas que se repetem muitas vezes em ordem variada.” (Letter to the Editor – Christianity today, VIII – 8 de novembro de 1963, pág. 19, 20).

O Dr. Samarin baseou sua pesquisa em estudos realizados em línguas faladas nas reuniões pentecostais na Europa e na América do Norte, entre pessoas de idiomas diferentes. Ele declara: “Na construção, bem como na função as ‘línguas’ são fundamentalmente diferentes de idiomas.” (Tongues of Men and Angels, pág. 227).

Estudos minuciosos feitos desde 1911, baseados em análises científicas, concluem que a ‘língua estranha’ neo-pentecostal não equivale a línguas conhecidas. Essa conclusão é baseada nos seguintes fatores:

1- As frequentes repetições das ‘línguas estranhas’

2- A similaridade da ‘língua conhecida’ com a ‘língua estranha’

3- O uso excessivo de uma ou duas vogais apenas

4- A ausência de qualquer estrutura

5- A notável diferença excedente de interpretação quando comparada com a língua falada

6- A inconsistência na interpretação de frases iguais

Os linguistas concluem que a fala extática é composta de sons desconhecidos, sem vocabulário ou traços gramaticais distinguíveis, com traços estrangeiros simulados e ausência total de características de um idioma existente. Por esta razão, muitos pentecostais alegam falar a ‘língua do Céu’ ou a ‘língua dos anjos’. Quanto a isso, o Dr. Welmes assevera: “Mesmo a língua celestial deve demonstrar características de um idioma conhecido. Deus não é irracional, e a linguagem humana existe simplesmente porque o homem foi criado à imagem de Deus.” (The Batism, Power, Gifts and Fruit of the Holy Spirit, pág. 19).

Em relação à ‘língua dos anjos’ pentecostal, o Dr. Welmes continua afirmando que “achou nelas uma pobreza de características que tornam uma língua rica. Elas revelam uma estrutura silábica mais elementar e limitada do que o Inglês. Eu certamente esperaria mais de uma ‘linguagem celestial’ – mais variedade, originalidade e beleza. Pode-e facilmente encontrar muito mais em qualquer língua terrestre.” (The Batism, Power, Gifts and Fruit of the Holy Spirit, pág. 23).

Eugene Nida também estudou as chamadas ‘língua dos anjos’ e concluiu que faltam elementos de uma verdadeira língua: Se, não constituem um idioma, o que são? “Pode-se unicamente dizer que são uma forma de linguagem extática.” (Citado em Movimento Carismático – Um Estudo Exegético e Teológico de Suas Principais Características, pág. 51).

Muitos dos que falam ‘línguas’ hoje, começam a prática somente depois de receberem instruções, e ainda sob a pressão psicológica de não serem autênticos cristãos evangélicos, a menos que passem pela ‘experiência’.

Harold Bredesen, um dos líderes carismáticos da Universidade de Yale, aconselhava aos estudantes a darem os seguintes passos:

1. Pensar concretamente visualizando a pessoa de Jesus

2. Submeter conscienciosamente os órgãos vocais ao Espírito Santo

3. Repetir certos sons elementares, tais como: bath – bah – bah, ou algo semelhante. (Estudo Exegético e Teológico de Suas Principais Características, pág. 52).

O Dr. Welmes continua sua abordagem: “...As consoantes e vogais nem todas parecem com o Inglês (a língua nativa do “glossolalista”), porém as regras da entonação são o Inglês americano tão completamente que o efeito total é bem ridículo.” (Robert Gromacki, Movimento Moderno de Línguas, pág. 105).

Que Língua os Anjos Falam Quando Estão Aqui na Terra?

1. Em Gênesis16:7-13; 21:17 no diálogo com Agar

2. Em Gênesis 19:1, 2, 15, no diálogo com Ló

3. Em Gênesis 22:11-15, no diálogo com Abraão

4. Em Gênesis 31:11, 12, no diálogo com Jacó

5. Em Números 22:32, 35, no diálogo com Balaão

6. Em Juizes 2:1-4, no diálogo com o povo

7. Em Juizes 6:12, no diálogo com Gideão

8. Em Mateus 1:20; 2:13, no sonho de José

9. Em Mateus 28:5, no diálogo com as discípulas

10. Em Lucas 1:13-20, no diálogo com Zacarias

11. Em Lucas 1:28-38, no diálogo com Maria

12. Em Lucas 2:10, no diálogo com os pastores

13. Em Lucas 2:13, 14, em proclamação à multidão

14. Em Lucas 2:21, nos é dito que foi o anjo de Deus que indicou o nome de Jesus, antes mesmo Dele nascer. A palavra ‘Jesus’ é um vocábulo, não apenas compreensivo, mas com um significado etimológico de origem hebraica.

Conclusão

Os anjos, portanto, falaram, nos diversos episódios em que contataram os homens, usando uma linguagem compreensiva, isto é, o vernáculo corrente das pessoas a quem se dirigiam. Em relação ao dom de línguas outorgado no dia de Pentecostes, verificamos que foi e continua sendo uma capacitação especial e sobrenatural para comunicar verbalmente o Evangelho em um idioma estrangeiro quando há uma extrema necessidade de fazê-lo de maneira rápida e eficiente, a fim de testemunharmos da obra expiatória de Jesus aos homens das diversas etnias (Atos 1:8).



[1] Os grifos nos textos bíblicos são nossos.


Autor: Pr. Josimir Albino do Nascimento

O Relacionamento da Lei Com a Graça


A Expressão Lei e os seus vários sentidos

Em primeiro lugar devemos entender o sentido da expressão lei como empregada na Bíblia. É importante frisar que esta expressão tem significados diversos, e que se usados intercambiavelmente podem gerar muitas distorções teológicas.

a) A palavra lei pode significar simplesmente o Pentateuco, ou seja, os cinco primeiros livros da Bíblia, escritos por Moisés (Lucas 24:44).

b) Pode representar o conjunto de normas dadas por Deus a Moisés no Monte Sinai (Romanos 5:13; Gálatas 3:17, 19).

c) O vocábulo também é empregado no sentido de expressão da vontade de Deus, de revelação de Seu caráter justo e santo (Romanos 3:20; 7:12; I Timóteo 1:8; Tiago 1:25).

A Bíblia ainda faz referências à lei civil, leis sanitárias, leis dietéticas, lei cerimonial e lei moral (que compreende todo o código moral de uma maneira genérica, e os Dez Mandamentos, de uma forma específica), muito embora estes termos não sejam empregados.

Os hebreus usavam com freqüência expressões de sentido dúbio, mas que podiam ser entendidas pelo contexto. Portanto, a natureza da palavra lei será compreendida pelo contexto em que aparece.

Tomemos por exemplo Colossenses 2:16, 17 “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.”

Comidas, bebidas, dias de festa, lua nova e sábados (aqui denominados sombras das coisas vindouras, são componentes dos ritos e das ofertas do cerimonial judaico – portanto – compreendem a lei cerimonial).

Os sábados aqui referidos são as “santas convocações”, ou ocasiões especiais em datas predeterminadas, como: a Páscoa, as Primícias, o Pentecostes, o Yom Kipur (Dia da Expiação). Estas solenidades eram intituladas “sábados”, pois nesses dias nenhum trabalho servil fareis (Levítico 23:3, 7, 8, etc.), ou seja, eram feriados que podiam cair em qualquer dia da semana, mas ainda assim chamados de sábados pelo caráter solene do que se realizava neles, contudo eram de natureza diferente do Sábado semanal:

1º O Sábado semanal foi estabelecido por Deus na Criação (Gênesis 2:1-3)

2º Os sábados cerimoniais começaram a ser observados após a entrega da lei cerimonial a Moisés no Monte Sinai.

3º O próprio Deus os apresenta como sendo de caráter distinto: “Estas são as festividades indicadas do SENHOR, a qual celebrareis como períodos de santa convocação, para apresentar ao SENHOR ofertas queimadas – holocausto e ofertas de grãos, sacrifícios e libações, cada uma em seu próprio dia – separados dos sábados do SENHOR[1], e separados das vossas ofertas, e das vossas ofertas votivas, e de todas as vossas ofertas voluntárias, as quais entregais ao SENHOR.” (Levítico 23:37, 38 New Revised Standard Version [tradução livre]).

Depois de apresentar as festividades solenes e suas injunções, suas ofertas e prescrições, Moisés foi orientado a dizer ao povo que aqueles eram períodos especiais nos quais o povo deveria cessar o trabalho cotidiano e celebrar ao Senhor através daqueles sábados e suas ofertas específicas, porém eles seriam separados, de natureza diferente do Sábado semanal. Mesmo as ofertas oferecidas nesses períodos eram de natureza distinta das ofertas costumeiras.

A Tríplice Finalidade da Lei (Moral)

1ª Mostrar-nos o pecado ou convencer-nos da nossa pecaminosidade: “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20)

2ª Guiar o pecador a Cristo. (Gálatas 3:24)

3ª Será a norma do juízo. (Tiago 2:12).

O Que é Graça

Nos muitos usos veterotestamentários da palavra, o significado é simplesmente “favor” sem qualquer implicação especial filosófica ou teológica. No entanto, o conceito do Novo Testamento de graça como o amor salvador de Deus para com os pecadores não está ausente do Velho Testamento, mas essa idéia foi expressa com mais exatidão pelo vocábulo hebraico chesed, amiúde traduzida como “benevolência” na versão KJV, “amor inabalável” na versão RSV (Salmo 17:7; 40:11; Isaías 63:7; Jeremias 16:5; etc.), e foi exemplificada na experiência dos santos do Velho Testamento.

Adão e Eva receberam uma promessa de salvação, a despeito de sua desobediência (Gênesis 3:15), e provisão de proteção física (v. 21).

Noé foi salvo da destruição geral do Dilúvio (Gênesis 6:8; 7:1).

Abraão foi selecionado, apesar de suas imperfeições, para manter vivo o conhecimento de Deus (Gênesis 12:1).

Moisés foi preparado para a liderança através da específica direção divina (Êxodo 3:10).

Israel foi escolhido por Deus e pacientemente nutrido através de séculos de desobediência como povo de Deus (Salmo 135:4; etc.).

Os profetas continuamente retratavam o inabalável amor de Deus ao lidar com os Seus filhos rebeldes (Sal. 92:2; Is. 45:10; Jr. 9:24; Os. 2:19; Jonas 4:2; etc.).

O Velho Testamento revela não apenas o desprazer de Deus pelo pecado, mas também Sua paciência e amor pelos pecadores e a graça provida para a sua salvação.

Porém, ficou reservado ao Novo Testamento proclamar a plenitude da graça divina, “Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (João 1:17).

O principal exponente da doutrina da salvação pela graça é Paulo. Sua tese consiste em que a salvação é o resultado não da lei, ou de livros, ou de nacionalidade, mas do favor divino livremente comunicado, e da fé humana. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). Paulo retrata como uma das bênçãos do Evangelho o acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus” (Romanos 5:2).

A graça é a mão de Deus estendida em direção à terra. A fé é a mão do homem estendida para cima, a fim de segurar a mão de Deus. A dinâmica da salvação é a graça de Deus. Este decretou que Sua graça estivesse disponível a todos os homens de todas as nacionalidades e condições de vida em todos os tempos, desde que pratiquem a fé (Efésios 4:7; Tito 2:11).

SDA Bible Dictionary – Artigo, “Grace”.

Distorções da Compreensão do

Relacionamento da Lei com a Graça

1. Legalismo – Ensina que somos salvos pelas obras, ou seja, por observar a lei.

2. Antinomianismo – Ensina que se somos salvos pela graça, não importa a maneira como vivemos, nossa conduta não irá influir na salvação. Não precisamos observar nenhum preceito de lei.

3. Galicismo – Ensina que a salvação é pela graça mais as obras.

· O Legalismo é o mau uso da lei

· O Antinomianismo é o mau uso da graça

· O Galicismo é o mau uso da lei e da graça

ILUSTRAÇÃO:

Um magistrado assume uma comarca e decide dar um indulto aos presos de sua jurisdição. Todos estariam perdoados de seus crimes a partir de sua assinatura, e passariam a ser livres.

A soltura dos condenados era um ato de bondade e graça do magistrado, pois ninguém havia satisfeito as exigências da lei, cumprindo a sua pena. A contar da data da assinatura, seriam cidadãos livres, ou seja, não estariam mais sob a condenação da lei, mas sob a graça do magistrado.

Depois de assinado o alvará de soltura, alguns se reintegraram na sociedade, não cometeram mais crimes. Outros retornaram à vida do crime e voltaram para a prisão.

1. Os que obedeceram à lei continuaram sob a graça do magistrado.

2. Os que violaram a lei caíram da graça e foram condenados pela lei, sendo enviados mais uma vez para a prisão.

CONCLUSÃO

Ellen White aconselha: “Há dois perigos contra os quais os filhos de Deus devem especialmente precaver-se. O primeiro... é o de tomar em consideração as suas próprias obras confiando em qualquer coisa que possam fazer, a fim de pôr-se em harmonia com Deus. Aquele que procura tornar-se santo por suas próprias obras, guardando a lei, tenta o impossível. Tudo o que o homem possa fazer sem Cristo está poluído de egoísmo e pecado...”

O erro oposto e não menos perigoso é o de que a crença em Cristo isenta o homem da observância da lei de Deus; que, visto como só pela fé é que nos tornamos participantes da graça de Cristo, nossas obras nada têm que ver com nossa salvação” (Caminho a Cristo, pp. 59, 60).

Autor: Pastor Josimir Albino do Nascimento.



Hoje Estarás Comigo no Paraíso

(Este estudo dá a explicação sobre uma dúvida da maioria das pessoas quanto ao verso de Lucas 23:43)


Para introduzir o assunto vamos ler todo o texto: “Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43).

A questão em torno da qual gira a polêmica é a ocasião em que os santos deverão “entrar” no Paraíso. Teria Jesus prometido ao ladrão convertido a sua entrada com ele no Paraíso naquele mesmo dia?

Examinemos o que as Escrituras Dizem a Respeito

Mat. 16:27 “Porque o Filho do homem há de vir[1] na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.”

Mat. 25:31-34 “Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.”

II Tim. 4:8 “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.”

I Pedro 5:4 “E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória.”

Apoc. 22:12 “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra.”

I Tess. 4:17 “Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles (os que estão mortos, mas ressuscitarão), nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.”

Existem muitas outras passagens que poderíamos citar em apoio à verdadeira interpretação da ocasião quando os santos deverão entrar no paraíso, mas estas são suficientes, e afirmam que isso se dará na volta de Jesus.

Subsídios da Língua Grega

As pontuações, da maneira como usamos hoje, não existiam nos tempos em que o Novo Testamento foi escrito, dessa forma, o texto grego aparece assim:

kai eipen autw amhn soi legw shmeron met emou esh en tw paradeisw

KAIEIPENAUTOAMENSOILEGOSEMERONMETEMUESSEENTOPARADEISO

Kai eipen auto, Amen soi lego, semeron met’emu esse en to paradeiso

EM VERDADE TE DIGO HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO

A princípio, nem mesmo as palavras eram separadas. Gradativamente foram introduzidas mudanças significativas na escrita. Até o quarto e quinto séculos, os textos dos Evangelhos não apresentavam nem pontos e nem vírgulas. No oitavo século foram introduzidos alguns sinais de pontuação, e no nono, o ponto de interrogação e a vírgula.

A ausência de pontuação deixava os tradutores livres para transpor o texto da forma que mais convinha à sua convicção. Por exemplo, um tradutor que cresse na imortalidade incondicional da alma, poria a vírgula assim:

EM VERDADE TE DIGO, HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO

Já um tradutor que acreditasse que apena Deus é imortal e que a imortalidade só será concedida na volta de Jesus, como cremos, verteria o texto desta maneira:

EM VERDADE TE DIGO HOJE, ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO

Textos Em Que o Sentido Poderia Ser Alterado

Pela Posição de uma Única Vírgula

«Ressuscitou; não está aqui.»

«Ressuscitou não; está aqui.»

Há uma enorme diferença teológica nas frases apresentadas a cima, e isso com apenas uma simples mudança de posição da vírgula.

Pontos Salientes a Considerar

1. A pergunta do ladrão continha aspectos de uma grande verdade escatológica: «Quando vieres no Teu reino». Sabia que o Reino de Deus deveria vir no futuro. O ladrão sabia que não iria para o Reino, mas que o Reino viria um dia buscá-lo.

2. Jesus não foi ao Paraíso quando morreu, notemos Suas palavras à Maria: João 20:17 «Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.» Jesus só subiu ao Pai, ou seja, só esteve no Paraíso depois da ressurreição.

3. O ladrão também não foi ao Paraíso naquele dia. Ele nem sequer morreu naquele dia: João 19:31-33 «Ora, os judeus, como era a preparação, e para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, pois era grande aquele dia de sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados dali. Foram então os soldados e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado; mas vindo a Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas». Jesus morreu naquele Sábado, mas os dois ladrões só morreram depois. Ele não poderia estar com Jesus, pois Este estava sendo sepultado (já falecido) e o ladrão agonizando, talvez por dias depois daquele Sábado.

Diz o comentarista J. B. Howell: ‘O crucificado permanecia pendurado na cruz até que, exausto pela dor, pelo enfraquecimento, pela fome e a sede, sobreviesse a morte. Duravam os padecimentos geralmente três dias, e Ás vezes, sete.’ Subtilezas do Erro, pp. 253, 254.

Muitas versões no passado traduziam corretamente este texto, como por exemplo a Trinitariana de 1883: «Na verdade te digo hoje, que estarás comigo no Paraíso.»

O Comentário da Oxford Companion Bible, afirma: «‘Hoje’ concorda com ‘te digo’ para dar ênfase à solenidade da ocasião; não concorda com ‘estarás.’» E mais, ‘a expressão ‘hoje’ ligada ao verbo não é redundante, mas enfática. É encontrada em muitas partes da Bíblia:

Zacarias 9: 12 «Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje anuncio que te recompensarei em dobro.»

Atos 20:26 «Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos.»

Conclusão

Jesus estava dizendo aquele homem que muito embora estivessem sob prementes circusnstãncias, ou seja, prestes a morrer e sofrendo muitas dores, pelo fato dele haver demonstrado fé e confiança no Reino vindouro, naquele dia uma solene promessa estava sendo-lhe feita, isto é, um dia Jesus o introduziria no Paraíso.




Autor: Pr. Josimir Albino do Nascimento

Vídeo da música "Amigos da Esperança" na nossa página do facebook

Novo CD Jovem 2011

Comentários

Créditos

100% Adventista

Site melhor visualizado no Google Chrome ou no Mozilla Firefox, criado e editado por Bruno, membro da IASD Araruama.


Autores:

Clayson Albino

Daniel Santos


Editor Geral:

Bruno Vieira


Todos os Direitos Reservados
© 2008 - 2010

Você é adventista?

Área Restrita

Usuário:
@comunidadeadventista.com
Senha:
Não consegue acessar a sua conta?

  © Comunidade Adventista - 2008 - 2011

By Bruno Vieira